Caro Prefeito, em 2012 não votei no senhor.
Caso queiras mudar esse quadro para as próximas eleições, sugiro a leitura atenta desta carta. Antes
que o processo eleitoral tivesse seu início pudemos trocar algumas palavras
que, confesso, me deixaram esperançoso. Lembro, em especial, de duas ocasiões.
A primeira foi por decorrência de uma conferência LGBTT ocorrida em Coxim no
ano de 2011, nos encontramos em um jantar com alguns dos organizadores da
conferência; na ocasião, percebi
comprometimento ético com a diferença nas tuas palavras, o que me deixou
bem aliviado, afinal, o preconceito reina nestas terras pantaneiras,
recentemente, por exemplo, em Três Lagoas, um pai espancou um filho para que
ele se curasse daquilo que não tem cura porque não é doença: a
homossexualidade. A segunda, foi na
posse do Conselho Municipal de Cultura (atual Conselho Municipal de Políticas
Culturais), a conversação girou em torno da falta de planejamento nas ações da
prefeitura que, na época, estava sob a
gestão de Dinalva Mourão. Ouvi atentamente o senhor discorrer sobre as
possibilidades que se abririam para o município caso houvesse um planejamento
bem construído, acredito, inclusive, ter ouvido o senhor falar sobre a
importância da transparência na administração pública e no correto
direcionamento dos recursos.
Alguns meses depois da nossa última conversação
na posse do Conselho, acabamos por nos encontrar em situação bem diversa: o
senhor já era prefeito e eu atuava como presidente do Conselho Municipal de
Políticas Culturais de Coxim. Nesta terceira ocasião já não se tratava apenas
de uma conversação como das outras vezes, tratava-se da explanação de
reivindicações do âmbito cultural do nosso município. Outras coisas também
mudaram: nas duas primeiras vezes encontrei o senhor dando apoio ao movimento
LGBTT e ao movimento Cultural, na terceira já não era mais possível encontrar o senhor
junto aos movimentos populares e foi
preciso elaborar convites oficiais,
passeata e ato de protesto para que uma reunião acontecesse.
As mudanças não pararam por aí. Nas três
reuniões que tivemos com o senhor, excelentíssimo prefeito, o discurso parecia ser outro, ou pior, o
discurso era incoerente , pois reunia ideias éticos de transparência com atos
de obscurantismo. A simpatia, entretanto, permaneceu. O candidato a prefeito que falava da
importância da correta aplicação das verbas públicas, como prefeito, dizia não
poder direcionar verbas para cultura mesmo que para ela exista uma previsão
orçamentária na faixa de 1 milhão; o candidato a prefeito que falava em
planejamento, tornara-se um prefeito cujo governo já se estendia para mais de
seis meses sem apresentar um planejamento para cultura; o candidato a prefeito
que falava da importância da democracia, como prefeito, deixava todas as
decisões do campo cultural a cargo de seu secretário de governo que até hoje
não conseguiu reabrir a Casa do Artesão e que nunca procurou ou abriu espaço para uma
solução coletiva dessa problemática; o candidato a prefeito que conseguia ver
soluções simples para problemas complexos, como prefeito, protelava a discussão sobre o Fundo Municipal
de Cultura, não tomava posição em relação ao Estatuto da FUNRONDON; o candidato
a prefeito que queria mudar Coxim, como
prefeito, relutava em nomear alguém para a Diretoria de Cultura da FUNRONDON,
fundação indispensável para o desenvolvimento da Cultura na nossa cidade.
Da próxima vez que nos encontrarmos, senhor
prefeito, não serei mais presidente do
Conselho Municipal de Políticas Culturais, pois me encontro esgotado e cansado
dos diversos entraves que tenho
enfrentado e da falta de apoio por parte do governo municipal. Porém, o senhor
continuará a ser prefeito. Por esse motivo, peço que o senhor, se quiser meu
voto para as próximas eleições, quando tiver que tomar uma decisão em seu atual
governo, não a tome como prefeito, antes,
tente lembrar em como o candidato a prefeito Aluízio pensaria. O Conselho Municipal de Políticas Culturais
reuniu a comunidade coxinense que indicou três nomes para a diretoria de
cultura: Gleycielli Nonato, Catarina Guerchi Nunes e Stéfferson Almeida Arruda. Já reunimos a comunidade e construímos a
indicação, basta que, dentre estes três nomes, um seja escolhido para que a
cultura passe a receber seu devido valor. Acredito que o candidato Aluízio já
teria divulgado o nome da pessoa que assumirá a diretoria de cultura da
FUNRONDON, coisa que o prefeito Aluízio ainda não fez. Pelo bem da população coxinense,
fico na torcida para que o senhor não espere chegar as próximas eleições para
voltar a pensar como candidato. E agora José?
Cleiton Zóia Münchow é professor do IFMS,
mestre em filosofia pela UFPR e ex-presidente do Conselho Municipal de
Políticas Culturais de Coxim.






